quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Série Fisiologia Respiratória - Mecanismos de hipoxêmia: Distúrbio ventilação - perfusão


Olá, meu nome é Fernando Acácio Batista e eu sou Fisioterapeuta especialista em fisioterapia em terapia intensiva adulto, além disso sou professor de ventilação mecânica tema que adoro e leciono em algumas especializações. Venho aqui deixar disponível para quem tenha interesse meu curso e e-book.

Cursos de atualizações em VM: https://fernandoabatista34.wixsite.com/website

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Nesta postagem chegamos ao último mecanismo de hipoxêmia e acredito que o mais complexo para os alunos entenderem, porém veremos que não é bem assim


Ao falarmos de ventilação -perfusão (V/Q) temos que entender por partes:
  • V = ventilação.
  • Q = Perfusão.


Ventilação = Alvéolos pulmonares que ventilam. 
Perfusão = Capilares pulmonares que estão com transporte de sangue normais.

V/Q = Ventilação dividido por perfusão, ou seja, sempre nos referimos primeiro a ventilação em relação a perfusão

Distúrbio V/Q = Algum processo que esteja ocorrendo e levando a alguma alteração na ventilação alveolar ou na perfusão capilar

E enquanto aos termos alta V/Q e baixa V/Q?


Quando falamos da relação V/Q ela normalmente é igual a 0,8 ou a 1,0. Isso significa que se eu dividir a ventilação pela perfusão deveria dar 0,8 a 1,0 e isso nos demonstra que a ventilação e a perfusão são sempre presentes. Claro que a relação V/Q muda a depender da região pulmonar, mas ela sempre é constante.

Portanto:
  • Alta V/Q = Significa que temos uma ventilação maior que a perfusão.
  • Baixa V/Q = Significa que temos uma baixa ventilação e uma maior perfusão.


Guardem está informação.



Podemos verificar nesta figura que a relação V/Q regional se difere, onde temos um gráfico demonstrando a base e o ápice pulmonar. Notem que a ventilação é diferente da perfusão
à depender das regiões e ela se tornará igual na zona 2 de WEST. Mas o importante é saber que a ventilação e a perfusão sempre estarão presentes, mesmo que na divisão uma pelo outra ocorra diferenças, mas ambas funcionam juntas, assim ocorrendo as trocas gasosas normais.

E quando essa relação se altera nós temos então o distúrbio V/Q? E como interpretar isso?



Na figura notamos três situações:

Situação B: Nós temos um alvéolo com ventilação normal e um capilar com perfusão normal, assim relação V/Q normais

Situação A: Nós temos um alvéolo que não está recebendo mais ar, pois ele apresenta uma secreção em bronquíolos respiratórios, assim impedindo a entrada e saída de ar, portanto não ocorre ventilação, e temos um capilar com perfusão normal. Portanto, temos um distúrbio V/Q e este distúrbio é chamado de baixa V/Q, pois não temos ventilação e temos perfusão. Ou seja nós temos um sangue que chega venoso e não recebe oxigênio. Porém ao ofertarmos uma fração maior de oxigênio por algum dispositivo de baixo ou alto fluxo a SpO2 do paciente volta a ficar maior que 90%, caracterizando um distúrbio V/Q, pois respondeu a oxigenioterapia. Agora o extremo do lado esquerdo da curva é o Shunt pulmonar, onde teremos muitos alvéolos não ventilados e capilares perfundidos e mesmo com a oferta de oxigênio a 100% não ocorre correção da oxigenação. Então para diferenciarmos o que é Shunt e o que é distúrbio de baixa V/Q basta ser responsivo a oxigenoterapia.



Podemos utilizar a formula na esquerda para calcularmos o distúrbio V/Q de nossos pacientes, o que é uma ferramente não invasiva e de grande valia a beira leito para nosso controle. Sendo primordial para o reconhecimento do distúrbio apresentado pelo nosso paciente.




Situação C: Nós vemos um alvéolo ventilando normalmente, onde recebe oxigênio durante a inspiração, porém temos um capilar sem perfusão, pois está obstruído. Assim chamamos este distúrbio de alta V/Q, pois temos alvéolos ventilando normalmente e capilares que não estão perfundindo este alvéolo devido a uma obstrução ou até a casos de choques. Se formos ao extremo do lado direito da curva teremos o chamado espaço morto alveolar, que se caracteriza por alvéolos que ventilam e não fazem troca, pois os capilares não perfundem (Espaço morto, pois não tem função). Isso é muito comum no TEP e podemos calcular o espaço morto alveolar com o uso da PaCO2 da gasometria e o EtcO2 da capnografia que é o CO2 final expirado pelo paciente.




Está é a formula que podemos utilizar para prever o espaço morto (Equação de Bohr) e seu valor normal fica entre 20 a 30%



Portanto o distúrbio V/Q não é algo impossível de entender e espero ter ajudado vocês nesta série.


John B. West: Fisiologia Respiratória Moderna, 5ª ed - Ed. Manole, 1996, São Paulo-SP
Arthur Guyton: Tratado de Fisiologia Humana, 10ª ed, Guanabara- Koogan, 2002, Rio de Janeiro - RJ


Até a próxima....








Fernando Acácio Batista


Fisioterapeuta
Gestor do Grupo Sancta Maggiore
Co- fundador e Professor da Liga da Fisiointensiva
Professor da Especialização em Fisioterapia Intensiva da Physiocursos Sorocaba
Professor da Especialização em Fisioterapia Intensiva da Inspirar
Especialista em Fisioterapia em UTI Adulto pela ASSOBRAFIR - COFFITO
Especialista em Fisiologia do Exercício pela UniAmérica
MBA emGestão da Qualidade e Acreditação Hospitalar pela UniAmérica
Especialização em Fisioterapia Respiratória pela ISCMSP
Especialização em Fisioterapia em UTI pelo HFMUSP
Mestre em Terapia Intensiva pelo IBRATI






segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Fisiologia Respiratória - Mecânismos de hipoxêmia: Difusão

Olá, meu nome é Fernando Acácio Batista e eu sou Fisioterapeuta especialista em fisioterapia em terapia intensiva adulto, além disso sou professor de ventilação mecânica tema que adoro e leciono em algumas especializações. Venho aqui deixar disponível para quem tenha interesse meu curso e e-book.

Cursos de atualizações em VM: https://fernandoabatista34.wixsite.com/website
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Hoje vamos falar da difusão, que é parte importante do processo da trocas de gases na respiração,  garantindo uma oxigenação e ventilação adequada.

O que seria difusão?

- A difusão é regida pela Lei de Fick, onde a quantidade de gás que transpõem a barreira é proporcional a sua área com uma constante de difusão, além da necessidade da diferença de pressãos dos gases e inversamente proporcional a sua espessura da área de troca.

Vixeeeeeeee. Não entendi nada

Explicando:

Na imagem ao lado vemos um exemplo de barreira e temos o O2 e o CO2, onde ambos estão representados com movimentação para o mesmo lado, mas sabemos que na vida real eles tem direções diferentes devido sua concentrações nos alvéolos e no sangue. Quando respiramos captamos oxigênio e liberamos gás carbônico, com isso nutrimos nossas células e ao chegar sangue venoso no pulmão, ele estará com mais gás carbônico do que oxigênio.

Então no sangue venoso teremos um  valor de CO2 de 45 mmHg e de oxigênio de 40 mmHg e em nossos alvéolos teremos o valor de Co2 40 mmHg e oxigênio 100 mmHg. Com isso o CO2 do sangue está maior e se difunde para o alvéolo e o oxigênio do alvéolo que está de 100 mmHg se difunde para o sangue. Com isso resolvemos a primeira parte do problema (Os gases precisam ter concentrações diferentes entre os lados para ocorrer a troca gasosa).

O segundo ponto é a área de troca, onde vemos uma barreira na foto. Vamos imaginar que essa barreira se diminua para a metade, com isso teremos uma área de troca menor. Então como exemplo vamos pensar que se a barreira total estava realizando 100% das trocas, ao diminuir pela metade teremos 50% de troca. Ao transportar isso para um pulmão, se estamos com troca adequada em um pulmão saudável e este pulmão adquire uma pneumonia em lobo superior direito, logo temos uma área de troca menor, passando menos gases pela barreira levando o paciente a ter hipoxêmia (com isso resolvemos a segunda parte do problema que é a troca ser proporcional a sua área).

O terceiro ponto é a espessura da barreira onde na imagem vemos uma espessura X. Se isso ficar mais fino o gás passa mais fácil, porém se ficar mais espesso os gases tem maior dificuldade para passar. Ou seja se algo atrapalhar essa passagem a hipoxêmia ocorre. 

E o que poderia dificultar?
- Fibrose pulmonar que leva a formação de tecido fibrótico entre o alvéolo e o capilar (barreira hemato-gasosa)
- Edema agudo pulmonar em fase inicial, quando ainda não ocorreu extravasamento alveolar e sim na barreira hemato-gasosa.

(Resolvemos o terceiro problema que era inversamente a sua espessura).

Então temos a resposta: A Lei de Fick diz que para ocorrer difusão precisamos ter diferença na pressão de gases entre os lados, a troca é proporcional ao tamanho da área de troca e inversamente proporcional a sua espessura....


John B. West: Fisiologia Respiratória Moderna, 5ª ed - Ed. Manole, 1996, São Paulo-SP
Arthur Guyton: Tratado de Fisiologia Humana, 10ª ed, Guanabara- Koogan, 2002, Rio de Janeiro - RJ



Espero ter ajudado e até a próxima...


Fernando Acácio Batista

Professor de Educação Física
Fisioterapeuta Intensivista
Estudante de Nutrição
Gestor do Hospital Sancta Maggiore
Co-fundador e Professor da Liga da Fisiointensiva
Professor da especialização em Fisioterapia Hospitalar da Physiocursos Sorocaba
Professor da Especialização em Fisioterapia em Terapia Intensiva da Inspirar
Especialização em Fisioterapia Respiratória pela ISCMSP
Especialização em Fisioterapia em UTI pelo HFMUSP
Especialista em Fisioterapia em Terapia Intensiva pela ASSSOBRAFIR-COFFITO
Especializado em Fisiologia do Exercício pela UniAmérica
MBA em Gestão da Qualidade e Acreditação Hospitalar pela UniAmérica
Mestre em Terapia Intensiva pelo IBRATI

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Indicador - Fraqueza muscular adquirida na UTI (FAUTI)

Olá, meu nome é Fernando Acácio Batista e eu sou Fisioterapeuta especialista em fisioterapia em terapia intensiva adulto, além disso sou professor de ventilação mecânica tema que adoro e leciono em algumas especializações. Venho aqui deixar disponível para quem tenha interesse meu curso e e-book.

Cursos de atualizações em VM: https://fernandoabatista34.wixsite.com/website
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FAUTI

A FAUTI é um acometimento importante dentro do ambiente de terapia intensiva, pois ela poderá acometer entre 25% a 50% dos pacientes que estiverem fazendo uso de ventilação mecânica invasiva por mais de 5 dias, e em alguns caso dependendo da doença de base até de forma mais precoce. Tanto os músculos periféricos como os músculos respiratórios poderão ser afetados, com isso teremos instalado um quadro de fraqueza muscular, perda de torque de contração e catabolismo acentuado.

Dentre as causas de FAUTI podemos lista:
  • Doenças Neuromusculares
  • Inflamação Sistêmica
  • Doenças reumáticas autoimunes
  • Insuficiência cardíaca
  • Comprometimento pulmonar (doenças obstrutivas e restritivas)
  • Deformidades de caixa torácica
  • Fraqueza muscular adquirida na UTI (FAUTI) – principais fatores de riso incluem sepse, administração de corticosteroides, hiperglicemia e uso de bloqueadores neuromusculares.
Dentro do ambiente de terapia intensiva devemos diminuir ao máximo qualquer fatore que poderá ser modificável no momento, pois assim diminuiremos as chances do paciente experimentar uma evolução da FAUTI. Temos alguns estudos importantes sobre o tema e aqui vou comentar de um que avaliou os fatores de risco da fraqueza muscular respiratória, onde encontrara as seguintes variáveis.
  • Uso de Ventilação Mecânica > 5 dias, 
  • bloqueador neuromuscular (dois ou mais dias), 
  • hiperglicemia (três ou mais dias consecutivos com glicose plasmática  ≥ 150mg/dL, com necessidade de insulina intravenosa), 
  • terapia prolongada com corticosteroide (três ou mais dias), 
  • balanço positivo (três ou mais dias consecutivos com excreção total menor que ingestão), presença de delirium pelo menos uma vez ao dia;
  •  Pimáx (pressão inspiratória máxima) sendo considerada para fraqueza muscular o ponto de corte < 36 cmH2O, medida pelo manovacuômetro.
Para diagnóstico podemos utilizar:
  •  MRC - Medical Research Conciul para força muscular
  • A medida da pressão manual (Handgrip) como padrão ouro para o diagnóstico da FAUTI. Neste caso o ponto de corte foi de <11 kg para homem e <7 kg para mulheres. 
Como o Fisioterapeuta poderá tratar a FAUTI
  • Estabelecendo um programa de exercícios clínicos de resistência muscular, que dentro dele estipularemos o volume de treino, sessões de treino, intensidade de treino, tipo de treino, tempo de descanso e progressão de cargas
  • Além disso poderá e deverá trabalhar a condição cardiopulmonar dos pacientes internados;
  • Discutir com a equipe de nutrição o aporte calórico do paciente, levando em conta o programa de reabilitação proposto;
  • Discutir com a equipe médica para avaliar o estado hormonal do paciente, pois é muito comum a ocorrência de hipotireoidismo do paciente critico, assim com queda na testosterona e estradiol, podendo prejudicar o ganho de massa muscular e recuperação.
  • Entre outros.
https://www.scielo.br/j/rbti/a/k7HcsFWQvmZWLtb4svX9btG/?lang=pt

Fernando Acácio Batista 

Fisioterapeuta Intensivista 
Professor de Educação Física
Estudante de Nutrição
Gestor do Hospital Sancta Maggiore 
Co- fundador e Professor da Liga da Fisiointensiva 
Professor da Especialização em Fisioterapia Intensiva da Physiocursos Sorocaba
Professor da Especialização em Fisioterapia Intensiva da Inpirar
Título de Especialista em Fisioterapia em Terapia Intensiva Adulto pelo COFFITO / ASSOBRAFIR Especialização em Fisioterapia Respiratória pela ISCMSP 
Especialização em Fisioterapia em UTI pelo HFMUSP 
Especialização em Fisiologia do Exercício pela UniAmérica
MBA em Gestão da Qualidade e Acreditação Hospitalar pela UniAmérica
Mestre em Terapia Intensiva pelo IBRATI 
http://lattes.cnpq.br/3951715682086759

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Gestão de pessoas - Atitude no trabalho.

Em mais uma postagem sobre gestão de pessoas, nosso foco é falar um pouco sobre as atitudes dos nossos colaboradores no trabalho. Nós sempre esperamos o melhor de nossos funcionários, porém será que as atitudes deles não nos revelam algumas respostas?

Um ponto importante é o envolvimento com o trabalho, onde o colaborador acha importante o que se faz, além da necessidade de ter personalidade compatível com a sua função. 


  • É necessário o colaborador enxergar a  sua profissão como algo importante para a sociedade e para a empresa, caso contrário a relação fisioterapeuta -cliente ficará afetada. Esses motivos farão você continuar se atualizando e realizando suas tarefas de forma pontual e agregando valor no que faz. 
  • Outro ponto colocado é a personalidade compatível, pois é muito comum encontramos Fisioterapeutas que apresentam um bloqueio para conseguir perpetuar na profissão com qualidade, e mesmo tentando fazer o melhor, no final o sofrimento interno reflete na conduta externa, seja pelo motivo de descobrir que não era aquilo que gostaria de realmente trabalhar ou por já ter entrado na profissão por não ter alcançado seu objetivo primário.
  • O comprometimento organizacional, cujo valores individuais pessoais devem ser compatíveis com o da empresa, ou seja de nada adianta você tentar tirar o melhor do seu funcionário se os valores são diferentes. Um bom salário consegue segurar o colaborador por um tempo pequeno na empresa, pois logo os conflitos aparecerão e as atitude negativas exteriorizarão. O colaborador deverá ser compatível com a cultura organizacional de onde ele está inserido.
  • A satisfação no trabalho é outro ponto importante e aqui encontramos algo pessoal e depende de valores individuais, assim o colaborador estará satisfeito se estiver envolvido com o trabalho e comprometido com a organização.


Até a próxima...


Fernando Acácio Batista

Supervisor de Fisioterapia dos Prontos Atendimentos da Rede Sancta Maggiore.
Profº de Educação Física
Fisioterapeuta
Estudante de Nutrição
Co- fundador e Professor da Liga da Fisiointensiva
Professor da Especialização em Fisioterapia Intensiva da Liga da Fisiointensiva
Professor da Especialização em Fisioterapia Hospitalar da Physiocursos Sorocaba
MBA em Gestão da Qualidade e Acreditação Hospitalar pela UniAmérica
Especialização em Fisioterapia Respiratória pela ISCMSP
Especialização em Fisioterapia em UTI pelo HFMUSP
Especialização em Fisiologia do Exercício pela UniAmérica
Título de Especialista em Fisioterapia em Terapia Intensiva pela ASSOBRAFIR - COFFITo
Mestre em Terapia Intensiva pelo IBRATI

terça-feira, 14 de março de 2023

IWI em idosos



Em uma outra postagem tínhamos comentado sobre o IWI em https://ligadafisiointensiva.blogspot.com.br/2016/06/iwi-new-integrative-weaning-index-of.html . Hoje iremos novamente falar deste índice em seu mais novo estudo, porém agora em publico idoso.

Trata-se de um estudo de coorte prospectivo realizado em 3 uti´s a partir de um banco de dados e foram incluídos trezentos e trinta e um indivíduos que haviam recebido ventilação mecânica por 24 h. Depois disso, separaram os sujeitos com menos de 70 anos de idade (não idosos) daqueles que eram
70 anos (idosos). Foram utilizados os ventiladores Evita 2 (Drager, Lubeck, Alemanha).

Os pacientes que tinham critérios para desmame foram submetidos a um teste de respiração espontânea pelo método de Tubo - T de 02 horas, a complacência estática do sistema respiratório (CRS) foi medida durante a ventilação controlada e em modalidade a volume, também foi utilizado um espirômetro de cabeceira (RM121, Ohmeda, Tóquio, Japão). A pressão de oclusão da via aérea traqueal (P0.1) foi medida pelo software do Evita 2, sob pressão Suporte 7 cm H2O. Uma amostra de sangue arterial para analisar o SatO2 eo PaO2/ FIO2.

Os resultados obtidos foram: 

  • Entre os 331 sujeitos avaliados, foram encontrados 155 idosos e 176 não idosos. 
  • Na população total, a falha do desmame foi observada em 54 (16,3%) e mortalidade em 17 de 331 indivíduos (5,1%, incluindo 10 re-intubados e 4 morreram no hospital). 
  • A prevalência de desmame bem sucedido na população total foi de 83,7%. Não houve diferença na prevalência de desmame bem sucedido entre idosos e não idosos.
  • Não houve diferença entre idosos e não idosos em relação aos dias de ventilação mecânica (9,2 ± 8,6 dias versus 9,1 ± 6,7 dias, P <0,22). 
  • Também não houve diferença na duração do desmame entre idosos e não idosos (2,8 ± 2,6 d vs 2,6 ± 2,0 d, P <0,55). A análise das variáveis ​​de desfecho por amostra e idade é descrita na Tabela 2.
  • No grupo com faixa etária de 70 anos, os indicadores de qualidade foram: sensibilidade 97,6% (IC 94,9-100%), especificidade 96,7% (IC 90,2-100%), valor preditivo positivo 99,2% (IC 97,6-100%), valor preditivo negativo 90,6% (IC 80,5-100%), precisão 97,4% (IC 94,9-99,9%). 
  • No grupo com faixa etária de 70 anos, os indicadores de qualidade foram: sensibilidade 96,1% (IC 93,0-99,1%), especificidade 91,7% (IC 80,6-100%), valor preditivo positivo 98,6% (IC 96,8-100%), negativo Valor preditivo 78,6% (IC 63,4-93,8%), precisão 95,5% (IC 92,4-98,5%), razão de verossimilhança positiva de 11,5% e razão de verossimilhança negativa de 0,04%.
  • O IWI apresentou alto valor preditivo (97,2%) na população idosa, com IC variando de 91,2 a 99,1%. No entanto, combinado com o APACHE II, este diminui significativamente, expressando maior confiança. Portanto, podemos dizer que o IWI é um preditor essencial do desmame na população idosa.
Os autores concluíram que:
  • A oxigenação satisfatória, o CRS e o padrão respiratório, eefletida pelo IWI 25, geralmente conduzem a um desmame em indivíduos idosos. 
  • A grande maioria da população da UTI é composta por pacientes idosos, e o IWI, que anteriormente tinha mostrado alta precisão em uma população, demonstra agora uma grande precisão em idosos.
  • O IWI foi a única variável indepenente encontrada no desmame de indivíduos idosos que possam contribuir para o momento crítico desta população em cuidados intensivos. 
  • Nós Acreditammos que o IWI pode ser o índice mais exato predizer o desmame.

Minha opinião: Não é de hoje que tenho uma grande admiração pelo IWI e realmente não vejo na literatura atual, nenhum outro tipo de índice mais preciso que este para nos ajudar no nosso dia a dia na terapia intensiva. Mas qual o motivo de ser tão bom e ainda sim não ser amplamente usando em nosso país?

Eu tenho minhas teorias de alguns motivos, mas acredito que devemos optar por evidências confiáveis e o IWI se enquadra neste termo de forma precisa. Este estudo trás Brasileiros de peso no cenário da terapia intensiva e que desenvolvem um trabalho espetacular. Aproveitem e façam a leitura do artigo na integra que vale muito a pena.



Até a próxima...



Fernando Acácio Batista

Fisioterapeuta Intensivista Gestor do Hospital Sancta Maggiore
Fisioterapeuta Emergêncista (ERWS)
Co- fundador e Professor da Liga da Fisiointensiva
Professor da Especialização em Fisioterapia Intensiva da Liga da Fisiointensiva
Professor do Aperfeiçoamento teórico da Liga da Fisiointensiva
Especializando em MBA em Gestão em Serviços de Saúde pela UNINOVE
Especialização em Fisioterapia Respiratória pela ISCMSP
Especialização em Fisioterapia em UTI pelo HFMUSP
Mestrando em Terapia Intensiva pelo IBRATI


terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

VNI em idosos






O estudo Results of noninvasive ventilation in very old patients por um período de 2 anos avaliaram pacientes que foram internados em UTI, em um estudo de coorte prospectivo e suas características eram de pacientes muito idosos e mais jovens.


Um total de 1.696 pacientes foram internados na UTI: 1.019 destes pacientes (60%)  necessitaram de suporte ventilatório, e 376 (37%) receberam ventilação não invasiva durante a sua permanência na UTI. O interessante que a proporção de pacientes que necessitaram de suporte ventilatório foram semelhantes nos muito idosos (163/253, 64%) e em pacientes considerados mais jovens (856/1443, de 59%; p = 0,12). 

A VNI como como terapia de primeira escolha foi mais frequente nos  pacientes muito idosos (52%) em comparação com pacientes mais jovens (23%; p<0,0001); 


Em relação a sobrevivência foram realizados acompanhamento com uma média de 316  
dias após a admissão na UTI. A mortalidade hospitalar foi de 28% e 40% respectivamente . Dos 59 pacientes muito idosos , 22 (37%) tiveram alta para casa e 37 (63%) para uma casa de repouso.
Vinte e nove dos 59 sobreviventes do hospital morreram após a alta hospitalar com um tempo médio de 231 dias. 
As taxas globais de 3 meses e 6 meses de mortalidade foram de 49% e 51%, respectivamente. 




Em relação ao desfecho hospitalar os pacientes muito idosos tinham significativamente uma maior mortalidade na UTI e mortalidade hospitalar (28% vs. 17%, p = 0,03, e 40% vs. 25%, p <0,01). 
A mortalidade hospitalar foi similar nos dois grupos, quando a VNI foi aplicada para insuficiência respiratória por edema agudo pulmonar cardiogênico, insuficiência respiratória crônica agudizada e durante o período pós-extubação. A mortalidade hospitalar foi particularmente elevada no grupo não intubação (DNI), independente do grupo de pacientes muito idosos (56%) quanto em pacientes mais jovens (72%).




A mortalidade intra-hospitalar de pacientes muito idosos intubados por  falha da VNI foi significativamente maior do que para pacientes mais jovens (10/13, 77% vs. 38/82, 46%, p = 0,01.








Os autores concluíram que a VNI poderá apresentar uma sobrevida satisfatória de 6 meses nos pacientes idosos que não falharam na VNI e foram intubados.


http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3306189/pdf/2110-5820-2-5.pdf

Até a próxima...



Fernando Acácio Batista

Fisioterapeuta Intensivista do Hospital Sancta Maggiore
Fisioterapia Emergêncista (ERWS)
Co- fundador e Professor da Liga da Fisiointensiva
Professor da Especialização em Fisioterapia Intensiva da Liga da Fisiointensiva
Professor do Aperfeiçoamento teórico da Liga da Fisiointensiva
Professor da Universidade Anhanguera
Professor convidado da Especialização em Cardiorrespiratória da Unicid
Membro da Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva
Especialização em Fisioterapia Respiratória pela ISCMSP
Especialização em Fisioterapia em UTI pelo HFMUSP
Mestre em Terapia Intensiva pelo IBRATI

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

Processo de acreditação hospitalar



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A acreditação hospitalar e de organizações teve sua origem nos Estados Unidos por volta de década de 40 e, foi estendendo-se para outros países, tais como o Brasil. Seu surgimento veio como uma possibilidade de assegurar clientes e profissionais com o intuito de monitorar a segurança dos serviços de saúde, onde sua prestação deverá partir do princípio da eficiência e excelência.

O processo de acreditação segue um padrão baseado em sua iniciativa em 1919 através do Colégio de Cirurgiões Americano pelo qual adotaram este padrão oficial de certificar os estabelecimentos de saúde, com a aceitação de cinco padrões para a prestação dos cuidados hospitalares.

O sistema Brasileiro de acreditação apresenta uma Portaria  nº 538, de 17 de abril de 2002,co mo a única ferramente de avaliação de qualidade dos hospitais em nosso pais. A acreditação ocorrerá de forma voluntária e passará por avaliações técnicas, periódicas, pelos pares, com base em padrões elaborados por consenso entre especialistas, assim gerando níveis de classificações na qualidade do atendimento prestado. Seu caráter é educativo para melhoria continua dos processos sem finalidade de controle oficial e fiscalização.

Seu conceito envolve uma metodologia para apreciar a qualidade da assistência médico-hospitalar em todos os serviços existentes no hospital com base em variáveis e o nível de acreditação é 1, 2, 3 e a observação ocorrerá em relação a liderança, administração, organização profissional, atenção ao cliente, diagnóstico, apoio técnico, logística e infraestrutura. Obter a acreditação acrescenta para o hospital a credibilidade e competência, além da excelência na prestação de serviços oferecidos.

O hospital poderá escolher como se organizar para obter está acreditação em um dos três níveis:

  • Acreditação Nível 1: Quando o hospital cumpriu a totalidade dos requisitos relacionados à segurança em todas as suas áreas, recebendo o certificado de acreditação;
  • Acreditação Nível 2: Quando além das condições de segurança, apresenta processos organizados, recebendo o certificado de acreditação plena;
  • Acreditação Nível 3: Quando o hospital agrega às exigências dos Níveis 1 e 2 e preenche todos os requisitos relativos à excelência, ao bom desempenho e à gestão e qualidade dos serviços, recebendo o certificado de acreditação com excelência.
Assim os resultados ficariam desta forma:

  • Não acreditado: Por não preencher o atendimento aos padrões e níveis mínimos exigidos;
  • Acreditado: Acreditação no nível 1;
  • Acreditado pleno: Acreditação no nível 2;
  • Acreditado com excelência: Acreditação no nível 3.
Caso o hospital não seja acreditado ele poderá solicitar uma reavaliação dentro do prazo de seis meses a um ano se acharem que estão em condições de atender até este prazo estipulado, porém caso passe deste prazo a nova solicitação será incluída como avaliação inicial e todo o processo deverá ocorrer novamente. Além disso as certificações de "acreditado" e "acreditado pleno" têm prazos de validade de dois anos, quando o hospital deverá submeter-se a um novo processo de avaliação. A certificação de "acreditado com excelência" tem prazo de validade de três anos, devendo em seguida submeter-se a um novo processo de avaliação.

Quais os benefícios de uma acreditação?

Para a instituição irá promover menor geração de conflitos, relações transparentes no trabalho, integração entre os setores, desenvolvimento pessoal, desenvolvimento profissional, crescimento, segurança, melhora da qualidade, produtividade e reconhecimento. Já para os clientes a qualidade do atendimento é garantida, segurança dos processos, satisfação em relação aos serviços adquiridos, entre outros. Englobando tudo isso teremos qualidade de produtos com custos reduzidos, ausência de erros, satisfação dos clientes, autonomia do trabalhador e menor retrabalho.


  • Paladine E. P. Controle de Qualidade: Uma abordagem abrangente. São Paulo: Atlas, 1990.
  • Levine, D. M. Berenson; M. L. Stephan, D. Estatística: Teoria e Aplicações, usando o Microsoft Excel. Rio de janeiro. LTC, 1998.
  • Manual Brasileiro de acreditação hospitalar. Ministério da Saúde. Departamento de Avaliação de Políticas de Saúde. 2.ed. Brasília.
  • http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/acreditacao_hospitalar.pdf
Até a próxima


Fernando Acácio Batista

Professor de Educação Física
Graduando em Nutrição
Fisioterapeuta Intensivista 
Gestor do Hospital Sancta Maggiore
Co- fundador e Professor da Liga da Fisiointensiva
Professor da Especialização em Fisioterapia Intensiva da Liga da Fisiointensiva
Professor da Especialização em Fisioterapia Hospitalar da Physiocursos Sorocaba
Especializado em Fisiologia do Exercício pela UniAmérica
MBA em Gestão da Qualidade e Acreditação Hospitalar pela UniAmérica
Especialização em Fisioterapia Respiratória pela ISCMSP
Especialização em Fisioterapia em UTI pelo HFMUSP
Especialista em Fisioterapia em Terapia Intensiva Adulto pela ASSOBRAFIR - COFFITO
Mestrando em Terapia Intensiva pelo IBRATI


segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Plano de carreira


Quando falamos em plano de carreira, imediatamente nos vem a mente a questão do plano empresarial onde teremos aumento de cargos e salários na empresa, porém nesta postagem vamos falar de estabelecer o seu plano de carreira, aquilo que você quer para sua vida dentro do âmbito profissional. E para isso ocorrer é necessário que seu plano vá para o papel e não fique guardando em sua mente.

Para estipularmos nosso planos de carreira devemos pensar em alguns ponto importantes:

  • Onde estou?
  • Onde quero chegar?
Para isso devemos também estipular outros pontos importantes que são primordiais para nosso crescimento dentro da nossa área de atuação que no caso é a Fisioterapia:
  • Valores: Pense em pelo menos três valores que você apresenta e possa lhe definir, como por exemplo honestidade, ética, respeito, integridade, família, entre outros;
  • Interesses: Aqui seria interessante você listar três áreas de seu interesse, aquela que você tem mais afinidade quando lê um jornal, conversa com amigos ou procure ler algo;
  • Seus motivadores: Aqui pense o que lhe motiva, os fatores que podem lhe motiva no trabalho, como estabilidade, dinamismo, admiração pela empresa, pelo líder ou pelo colega;
  • Talentos: Aqui pense em qual seu talento, ou melhor qual seus pontos fortes e qualidade dentro de sua vida. Caso tenha dúvidas pergunte para amigos e família as qualidade que lhe descrevem;
  • Competências: Aqui você precisa avaliar sua competência técnica dentro da sua área e o que lhe destaca perante sua atuação, onde poderá descrever cinco delas. Também deverá saber suas competências gerais que são as comportamentais pela qual lhe destaca perante aquele cargo que pretende.
Após está análise você estudará o  mercado para definir qual o cargo que você almeja chegar, seja em cinco ou mais anos. Mas para isso você precisa saber qual os requisitos para fazer parte deste cargo e quais as oportunidade e riscos que esse nova etapa poderá lhe proporcionar.

Não adianta estudar e colecionar títulos sem um objetivo específico e um significado pleno na vida, onde devemos associar o trabalho e o social. Muitos pensam que o trabalho se separa da vida pessoal, porém isso gera frustrações importantes já o trabalho faz parte da vida pessoal, porém de forma dosada e com pleno conhecimento dos momentos de cada um. É o trabalho que poderá lhe levar a conquistar seus objetivos pessoais, seja como empregado ou como empresário. O mais importante é ter em mente o que você quer dentro da Fisioterapia e aí sim ir buscar os requisitos básicos para tal. De nada adianta ampliar o campo sem um objetivo definido.

OBS: Nunca se esqueça que ao trabalhar para alguém, você será apenas um número e de fato é substituível mesmo que ache o contrário. Então amplie seu network e determine onde quer chegar. Outro ponto importante é buscar construir algo e trabalhar como PJ em sua empresa ou trabalho afins.


Até a próxima...


Fernando Acácio Batista

Professor de Educação Física
Graduando em Nutrição
Fisioterapeuta Intensivista 
Gestor do Hospital Sancta Maggiore
Co- fundador e Professor da Liga da Fisiointensiva
Professor da Especialização em Fisioterapia Intensiva da Liga da Fisiointensiva
Professor da Especialização em Fisioterapia Hospitalar da Physiocursos Sorocaba
Especializado em Fisiologia do Exercício pela UniAmérica
MBA em Gestão da Qualidade e Acreditação Hospitalar pela UniAmérica
Especialização em Fisioterapia Respiratória pela ISCMSP
Especialização em Fisioterapia em UTI pelo HFMUSP
Especialista em Fisioterapia em Terapia Intensiva Adulto pela ASSOBRAFIR - COFFITO
Mestrando em Terapia Intensiva pelo IBRATI

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